Não é por acaso que Zine El Abidine Ben Ali monopolizou os três poderes da Tunísia. Seu último desejo era o de amordaçar o bem mais precioso dos tunisianos: a paixão por falar. Não havia mais gritarias dos terraços, somente o grunhido dos que não têm voz. Deixou de haver poesia, literatura e música. Os templos da palavra falada e escrita foram incinerados.
O que é um homem livre, um rebelde, senão um homem que protege sua própria liberdade de expressão? Como eu consegui me expressar sob o regime de Ben Ali? Me recusei a deixar que qualquer um interferisse em minha vida. Protegi meu poder de expressão de uma maré de cassetetes. Enquanto tiver expressão, eu sou.
Tenho orgulho de ter me expressado em uma prisão com grades humanas. Liberdade não tinha nada a ver com isso. Eu precisava de coragem. Não muita, só o essencial. O medo perseguia minhas palavras, minha lucidez. Eu tinha uma obsessão: preenchi meu diário com o que as pessoas comuns falavam. De quando em quando, mexia nelas para produzir um artigo, uma reportagem. Tenho orgulho de ser jornalista, uma profissão que não existia sob o comando de Ben Ali. Sou sobrevivente do naufrágio da palavra falada e escrita. Quando escrevia um artigo, meu espírito cantava. Talvez ele penetrasse na escuridão, nos caminhos bloqueados, e encontrasse o tesouro. É quando sinto a minha essência. Meu espírito olha sob a superfície, identifica as causas mais escondidas e expõe as consequências.
*Taoufik Ben Brik, crítico do ditador deposto Ben Ali, ficou preso sob acusações fabricadas para silenciá-lo.
TAOUFIK BEN BRIK* | Jornalista tunisiano
O que é um homem livre, um rebelde, senão um homem que protege sua própria liberdade de expressão? Como eu consegui me expressar sob o regime de Ben Ali? Me recusei a deixar que qualquer um interferisse em minha vida. Protegi meu poder de expressão de uma maré de cassetetes. Enquanto tiver expressão, eu sou.
Tenho orgulho de ter me expressado em uma prisão com grades humanas. Liberdade não tinha nada a ver com isso. Eu precisava de coragem. Não muita, só o essencial. O medo perseguia minhas palavras, minha lucidez. Eu tinha uma obsessão: preenchi meu diário com o que as pessoas comuns falavam. De quando em quando, mexia nelas para produzir um artigo, uma reportagem. Tenho orgulho de ser jornalista, uma profissão que não existia sob o comando de Ben Ali. Sou sobrevivente do naufrágio da palavra falada e escrita. Quando escrevia um artigo, meu espírito cantava. Talvez ele penetrasse na escuridão, nos caminhos bloqueados, e encontrasse o tesouro. É quando sinto a minha essência. Meu espírito olha sob a superfície, identifica as causas mais escondidas e expõe as consequências.
*Taoufik Ben Brik, crítico do ditador deposto Ben Ali, ficou preso sob acusações fabricadas para silenciá-lo.
TAOUFIK BEN BRIK* | Jornalista tunisiano
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