quinta-feira, 31 de março de 2016

E quando vem o sentimento de alguém que gosta de estar comigo...
Eu esqueço que você não quis mais.
E às vezes,no meio do bate papo,vem à lembrança que já conversamos sobre o assunto da vez.
E caminhando na rua....encontro motivos que me fariam comentar contigo,até mandar uma foto.
E me pego pensando que seu lugar ainda está ocupado,
mesmo estando ausente.
E com tantos e,e,e,e,e
Será que ainda vamos conversar um dia,
Desarmados?
Desapegados?
Sem insinuações?
Sem intensidade?
Eu preciso disso.
Muito.
Não para voltar.Para seguir em frente.
Olho no olho.
E que venha de ti,
Parar com as reticiências,
E colocar um ponto final.

segunda-feira, 28 de março de 2016

PASSADO.....

       Olhando caixas e papéis amarelados pelo tempo,
       encontro cartas.....e penso:
       assim como fotografias,elas são o registro de uma história,
       de um passado não tão recente,
       mas que faz parte da minha história de vida,
       que em algum momento se traduziram em sentimentos,
       e mesmo não sendo lembrados sempre,
       estão em uma caixinha da memória.
       Lembro que há pouco tempo,também escrevi uma carta.
       Carregada de bons sentimentos
       Será que o destinatário guardará esta carta,e um dia,muito longe daqui,
       encontrará ela,amarelada pelo tempo,
       Será que conseguirá sorrir,como quando a recebeu?
       Pois o tempo pode passar,mas lágrimas e sorrisos,não ficam perdidos pelo caminho.....

       

quarta-feira, 23 de março de 2016




OUSE.....não exite em respeitar sua intuição.

PERMITA-SE......aproveitar o momento.

SENTIR.....não censura,não critica,não julga;
traz para dentro do coração,
e devolve com solidariedade e cumplicidade absolutas.

terça-feira, 22 de março de 2016


                                                        ( OPRAH)
                                                  ( OPRAH)

segunda-feira, 21 de março de 2016



 Queridos amigos que me honram com sua visita ao meu blog:
    Eu ficaria muito feliz se deixassem algum comentário,à favor ou não,ou se identificassem,publicamente ou inbox.
    A intenção desse blog não é comercial,mas um lugar onde eu possa postar sentimentos que escrevo e de outras pessoas também.

     Um abraço

Claudia Farias

Aviso: Passou....




Queria te dizer que passou...
Não fico mais triste,
Não me faz mais falta sua mensagem  de bom dia(sempre será bem vinda,mas não respiro mais por ela.)
Não me faz mais falta sua opinião sobre algum livro ou crônica do jornal.(sempre será bem vinda,mas não penso mais por ela.)
Não me faz mais falta sua capacidade de ser coerente.
Prefiro ser incoerente nas minhas paixões,
 O sentimento  sem lógica,
O prazer sem resistência.
Saudades? Impossível não sentir.
Mas não de nosso amor,mas de momentos alegres,foram muitos.
Não existe o "não lembrar" uma história que foi tão linda...mas foi....
No tempo que tinha que ser.
Nada quero de volta.Tudo está no tempo que aconteceu.
E assim vai ficar.
E sigo,respirando outros ares,sentindo outros perfumes da vida,
me encantando com tanta diversidade que me cerca,
Sem deixar de ser feliz!



(....)Favor não alimentar minhas esperanças,se você soubesse como o animal que mora aqui reage,você leria a placa.Mas você alimenta.De tempos em tempos,sem tempo bastante para ficar.Não é sobre mim ou sobre você,é só mais uma história com ponta solta e um final-se é que eu posso chamar de fina.-sem fim.Você diz oi e eu respondo,emplaco um assunto e você ri.Morremos nas apresentações quando eu achava que já te conhecia.
É só que eu queria ter tido algo,ponto final,nada fora do comum,Daí você pergunta algo e eu reluto,mas respondo.Tres dias depois,você pergunta de novo,demoro um pouco e respondo.Não consigo disfarçar o imediatismo.Agora já tem tres dias que você disse que já volta e não voltou,acho que era um recado.E agora o celular vibra,tudo novo de novo,não sei o que faço,tá tarde,eu preciso dormir.E agora encaro a tela e digito e apago,digito e apago.Resolvo responder,mas amanhã eu falo cinco vezes no espelho de novo pra ver se dá jeito.Desligo a internet e deito satisfeito.E de novo,eu prometo pra mim mesmo que nunca mais vou  te responder.Até a manhã seguinte...E é isso que mata:você tinha planos.Ou parecia ter.Quando foi que você desistiu deles e não me avisou?Fico com a impressão de que comprei as passagens e vou embora sozinho.O banco do lado fica vago,no seu lugar não vai mais ninguém.Melhor para mim,posso deitar no banco todo.Melhor para mim,é o que continuo dizendo.
E de lá pra cá eu sou remédio,você me toma em doses homeopáticas,você me deixa num cantinho e esquece a bula,esquece de seguir de tempos em tempos,até que para de tomar.

Daniel Bovolento


domingo, 20 de março de 2016

.....e quando alguém fica feliz por me ver....isso sim é o que vale por tudo.
Mesmo que eu não possa corresponder,
é o impulso para seguir com muita vontade
deixando lá atrás o que também tem valor,
mas já não faz parte desse agora,
mas foi intenso e será para sempre lembrado,
com muito carinho.
Mas o intenso....se faz no momento.

quinta-feira, 17 de março de 2016

E se eu dizia que o que fica é o que marca.O que eterno é o que se faz no momento,e se registra na memória do coração...
E se eu dizia,
Que o momento que é intenso,
Que lá na frente.....está longe.
E se eu dizia....vamos ser maduros,
Mas quem disse que paixão conhece maturidade?
E se eu dizia que não era paixão?
E se eu estivesse me enganando?
Eu não sei quando nossos olhos vão se encontrar novamente.
Mas as fotos (foram tantas),estão guardadas,
para quando quisermos lembrar de longe,
O que foi tão perto.
Ainda bem que o álbum de fotos....pode ser fechado...
Para se abrir outro.
Outra história,outra paixão,
Outros sorrisos.
pois que nossa vida nada mais é do que uma história depois da outra.


quarta-feira, 2 de março de 2016

Da serie:Amo pessoas-As escolhas nos levam ao que desejamos viver,mas nem sempre acertamos.Então podemos novamente escolher e seguir outro caminho.
Mas escolher e seguir,envolve toda uma carga,de sentimentos e valores,que nem sempre facilita o nosso agir.
Mas temos de nos permitir também errar e tentar de novo,quando a razão e a emoção ficam ali,pulsando,mostrando que se pode buscar o que faz bem ou até, o que já fez bem.
Mas é por escolhas que a vida segue.
Acertamos,erramos,tropeçamos, rodeamos as pedras,como faz a água do rio.Não podemos é parar.
Eu escolho ser feliz ou não, com razão ou não.
A escolha é minha.
Mas que bom contar com amigos para ajudar a refletir sobre isso,quando estamos na contramão.
Obrigada, de coração, meu amigo querido,por suas palavras .Ao contrário do que disseste,me ajudou muito.

10 Estratégias de Manipulação em Massa utilizadas diariamente contra a população

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Noam Chomsky é um linguista, filósofo, cientista cognitivo, comentarista e ativista político norte-americano, reverenciado em âmbito acadêmico como “o pai da linguística moderna“, também é uma das mais renomadas figuras no campo da filosofia analítica.(Fonte)
"Em um estado totalitário não se importa com o que as pessoas pensam,
desde que o governo possa controlá-lo pela força usando cassetetes.
Mas quando você não pode controlar as pessoas pela força, você tem 
que controlar o que as pessoas pensam, e a maneira típica de fazer
isso é através da propaganda (fabricação de consentimento, criação 
de ilusões necessárias), marginalizando o público em geral ou 
reduzindo-a a alguma forma de apatia"
(Chomsky, N., 1993)
Inspirado nas idéias de Noam Chomsky, o francês Sylvain Timsit elaborou a lista das “10 estratégias mais comuns de manipulação em massa através dos meios de comunicação de massa
Sylvain Timsit elenca estratégias utilizadas diariamente há dezenas de anos para manobrar massas, criar um senso comum e conseguir fazer a população agir conforme interesses de uma pequena elite mundial.
Qualquer semelhança com a situação atual do Brasil não é mera coincidência, os grandes meios de comunicação sempre estiveram alinhados com essas elites e praticam incansavelmente várias dessas estratégias para manipular diariamente as massas, até chegar um momento que você realmente crê que o pensamento é seu.
manipulacao-em-massa

1. A estratégia da Distração

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio, ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes.
A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir o público de interessar-se por conhecimentos essenciais, nas áreas da ciência, economia, psicologia, neurobiologia e cibernética.
Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais

2. Criar problemas e depois oferecer soluções

Este método também é chamado “problema-reação-solução“. Se cria um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja aceitar.
Por exemplo: Deixar que se desenvolva ou que se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas desfavoráveis à liberdade.
Ou também: Criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos. (qualquer semelhança com a atual situação do Brasil não é mera coincidência).
Este post PORQUE A GRANDE MÍDIA ESCONDE DE VOCÊ AS NOTÍCIAS BOAS? retrata bem porque focar nos problemas é interessante para grande mídia.

3. A estratégia da gradualidade

Para fazer que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Foi dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas, neoliberalismo por exemplo, foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estratégia também utilizada por Hitler e por vários líderes comunistas.  E comumente utilizada pelas grandes meios de comunicação.

4. A estratégia de diferir

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa e necessária“, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura.
É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente.
Depois, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “amanhã tudo irá melhorar” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia da mudança e aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5. Dirigir-se ao público como crianças

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse uma criança de pouca idade ou um deficiente mental.
Quanto mais se tenta enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como as de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade.”

6. Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e finalmente no sentido crítico dos indivíduos.
Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou injetar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos.

7. Manter o público na ignorância e na mediocridade

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão.
“A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores e as classes sociais superiores seja e permaneça impossível de ser revertida por estas classes mais baixas.

8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade

Promover ao público a crer que é moda o ato de ser estúpido, vulgar e inculto.

9. Reforçar a auto-culpabilidade

Fazer com que o indivíduo acredite que somente ele é culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, suas capacidades, ou de seus esforços.
Assim, no lugar de se rebelar contra o sistema econômico, o indivíduo se auto desvaloriza e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua ação. E, sem ação, não há questionamento!

10. Conhecer aos indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem

No transcurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado uma crescente brecha entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dominantes.
Graças à biologia, a neurobiologia a psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado sobre a psique do ser humano, tanto em sua forma física como psicologicamente.
O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior que o dos indivíduos sobre si mesmos.
SENTIMENTOS/AMIZADE

4 CRÔNICAS SOBRE AMIZADE – FABRÍCIO CARPINEJAR

4 textos incríveis de Fabrício Carpinejar sobre o significado da verdadeira amizade. Confira:


1) OS AMIGOS INVISÍVEIS

Os amigos não precisam estar ao lado para justificar a lealdade. Mandar relatórios do que estão fazendo para mostrar preocupação.
Os amigos são para toda vida, ainda que não estejam conosco a vida inteira.
Temos o costume de confundir amizade com onipresença, e exigimos que as pessoas estejam sempre por perto, de plantão.
Amizade não é dependência, submissão. Não se tem amigos para concordar na íntegra, mas para revisar os rascunhos e duvidar da letra. É independência, é respeito, é pedir uma opinião que não seja igual, uma experiência diferente.
Se o amigo desaparece por semanas, imediatamente se conclui que ele ficou chateado por alguma coisa. Diante de ausências mais longas e severas, cobramos telefonemas e visitas. E já se está falando mal dele por falta de notícias. Logo dele que nunca fez nada de errado!
O que é mais importante: a proximidade física ou a afetiva? A proximidade física nem sempre é afetiva. Amigo pode ser um álibi ou cúmplice ou um bajulador ou um oportunista, ambicionando interesses que não o da simples troca e convívio.
Amigo mesmo demora a ser descoberto. É a permanência de seus conselhos e apoio que dirão de sua perenidade.
Amigo mesmo modifica a nossa história, chega a nos combater pela verdade e discernimento, supera condicionamentos e conluios. São capazes de brigar com a gente pelo nosso bem estar.
Assim como há os amigos imaginários da infância, há os amigos invisíveis na maturidade. Aqueles que não estão perto podem estar dentro. Tenho amigos que nunca mais vi, que nunca mais recebi novidades e os valorizo com o frescor de um encontro recente. Não vou mentir a eles, “vamos nos ligar?”, num esbarrão de rua. Muito menos dar desculpas esfarrapadas ao distanciamento.
Eles me ajudaram e não necessitam atualizar o cadastro para que sejam lembrados. Ou passar em casa todo final de semana ou me convidar para ser padrinho de casamento, dos filhos, dos netos, dos bisnetos. Caso os encontre, haverá a empatia da primeira vez, a empatia da última vez, a empatia incessante de identificação.
Amigos me salvaram da fossa, amigos me salvaram das drogas, amigos me salvaram da inveja, amigos me salvaram da precipitação, amigos me salvaram das brigas, amigos me salvaram de mim.
Os amigos são próprios de fases: da rua, do Ensino Fundamental, do Ensino Médio, da faculdade, do futebol, da poesia, do emprego, da dança, dos cursos de inglês, da capoeira, da academia. Significativos em cada etapa de formação. Não estão na nossa frente diariamente, mas estão em nossa personalidade, determinado, de forma perceptível, as nossas atitudes.
Quantas juras foram feitas em bares a amigos bêbados e trôpegos?
Amigo é o que fica depois da ressaca. É glicose no sangue. A serenidade.
Fabrício Carpinejar
Aproveite que está por aqui para dar uma olhadinha em mais Crônicas do Fabrício Carpinejarsobre a vida ou nas frases de Amizade. E não se preocupe, o link irá abrir em nova janela para não atrapalhar sua leitura :)


2) AMIZADES DEFINITIVAS

Amizade vai além do momento.
É comum ser amigo de contextos idênticos e se distanciar com os hábitos diferentes.
Quando você está solteiro, o normal é fazer cumplicidade com quem frequenta festas e não se apega a uma relação. Quando está casado, o normal é criar laços com outros casais e privilegiar jantares e viagens. Quando está com filhos, o normal é sair com quem também está conhecendo as manhas e as longas manhãs dos bebês.
Amizade verdadeira ultrapassa a normalidade e o oportunismo do convívio.
Estas nem são amizades verdadeiras, mas afinidades circunstanciais. São colegas de uma época, de uma fase, de um estilo. Acabam unidos provisoriamente por um gosto, circunscritos a uma vizinhança etária. Desaparecem diante de nossa primeira mudança, de nossa primeira transformação de personalidade.
Permanecem quando há um interesse imediato, um arranjo benéfico do cotidiano, e somem quando não existe mais uma desculpa para se ver e se ouvir. Dependem de um pretexto para se manter próximos.
Os conhecidos da academia ficarão no passado dos halteres assim que cansarmos dos treinos.
Os conhecidos da faculdade ficarão na lembrança do quadro ­negro assim que nos formarmos. Os conhecidos dos cursos de idiomas ficarão nos livros de exercícios assim que dominarmos uma nova língua.
Amigo mesmo é o que não experimenta uma fase igual e permanece junto. Quebra o espelho e não se machuca com os cacos.
Amigo mesmo é o que não tem filho e vem brincar com nossas crianças, não reclama dos gritos e dos choros e não diz que “pela trabalheira, não pensa em ser mãe ou ser pai tão cedo”. Não se justifica, está lado a lado qualquer que seja o cenário.
É aquele que se separou e não amaldiçoa nossa paixão recente. É aquele que não tem emprego fixo e não inveja o nosso sucesso. É aquele que não tem nenhum problema grave e escuta com paciência e atenção as nossas lamúrias.
Não é o de empatia fácil, feita de experiências semelhantes: só porque atravessa a fossa entende a nossa fossa, só porque transborda de alegria festeja a nossa alegria. Amigo não dá nem para contar nos dedos, pois sempre estará segurando nossa mão.
Fabrício Carpinejar


3) ­ESTRANHO EQUILÍBRIO

Eu descobri ontem um provérbio perfeito: Se quer ser amigo feche um olho, se quer manter uma amizade feche os dois olhos.
Faz muito sentido. Amigo é não se meter, por mais que tenhamos intimidade, é respeitar a decisão mesmo que não seja o que você pensa.
Se ele procura namorar alguém que você não gosta, é dar apoio igual. Se ele pretende permanecer num emprego que você não acha justo, é dar apoio igual. Se ele busca manter uma vida que você não considera ideal, é dar apoio igual.
É estar junto apenas, para qualquer dos lados.
Amizade é dança. Acompanhar o ritmo da música.
É opinar, expor sua crítica, mas não viver pelo outro.
É não intervir, não pesar a mão, não exagerar.
Amigo não é ser pai, não é ser mãe, não é educar.
É aceitar o que ele é, é reconhecer o que ele deseja, ainda que seja muito diferente de suas crenças.
É entender o momento de falar e entender também o momento de silenciar.
Análise demais estraga a amizade. Você estará sendo terapeuta, não amigo.
É discordar e seguir adiante. Não é discordar e fazer oposição, boicote, greve. Até que nosso amigo mude de ideia.
Amigo é oferecer conselho, não um sermão. É alertar, jamais insistir.
Amizade é fugir do julgamento, é compreender a alternância, os altos e baixos, os desabafos.
Amigo não cobra coerência, não fica em cima cutucando feridas.
É saber tudo e agir como se não soubesse de nada. É não ficar apontando o que é certo ou errado.
Amizade é difícil. Amizade é um estranho equilíbrio.
Mas amizade não é cegueira. É a arte de enxergar com os ouvidos.
Fabrício Carpinejar


4) PREITO AOS MEUS AMIGOS

O amigo é aquele que tem todos os motivos para desistir de você e não desiste. Você fez por merecer a separação. Exagerou. Afastou o abraço, gritou que ele não o compreende. Mas o amigo entende até na incompreensão. Aguarda entender.
Eu preciso de um amigo que não me renuncie quando já desisti. Que me lembre de não desistir.
Que seja insistente como o esquecimento dos velhos. Que desperte o meu humor no desespero, que se desespere com a ausência de notícias.
Um amigo que não numere as páginas do livro. Toda página pode ser a mesma. Um amigo que sopre meu rosto perto de sua boca, como uma gaita de mão. Um amigo capaz de esconder seu amor para proteger a amizade e de me aconselhar a seguir o que ele tinha vontade.
Um amigo que desconheça minha infância para repeti-­la, que conheça minhas dores para não tocá­-las, que assobie minha alegria para alardeá-­la. Que não me torture com os meus defeitos. Que me perdoe por não ser como ele. Aliás, que me agradeça por não ser igual a ele.
Um amigo que não use meus segredos para ganhar outros amigos. Um amigo que abra o vidro do carro para apanhar o resto do céu. Que cante alto no volante no momento em que ansiava pelo silêncio e me obrigue a dispensar a timidez para desafinar junto. Na estrada, o vento também canta de olhos fechados.
Um amigo com cheiro de cortina. Isso: cheiro de cortina, com a experiência de enrolar várias e várias vezes o corpo na cortina. E que tenha recebido beijos dos pais com o tecido arregalado no rosto. Quem se escondeu na cortina deu giros dentro de si e de seus problemas e aprendeu a regressar.
O amigo do primeiro desejo, não do último. O amigo que não me espera no recreio, o amigo que me espera no final da aula. O amigo que é a haste do mar, que não fica de pé no barco, para não desequilibrá-­lo.
Não quero um amigo que fuja na primeira ofensa, que se isole ofendido num canto, amarrado no orgulho, condicionado às palavras. Um amigo que não fale por mim, que fale através de mim. Não quero um amigo que me ofenda porque não atendi suas expectativas.
Amigo não tem expectativa, tem esperança. O amigo vai procurá-­lo não sendo necessário. Vai aumentá-­lo enquanto está diminuído e vai diminuí-­lo para preveni­-lo da ambição.
O amigo é do contra ao seu lado. O amigo dirá as verdades por respeito, não se eximirá de opinar, tudo com zelo e contenção. Não abandonará a corda da pandorga ainda que ela sirva de fio telefônico para chuva.
Tive amigos que se fecharam, desapareceram, que me trocaram por uma fofoca, que chegaram à porta e recuaram ao portão. Esses amigos não foram amigos, se é amigo só depois da amizade.
Depois de sofrer com a amizade. O amigo é como um irmão, que se briga feio, se discute aos pontapés e palavrões e volta a se falar. Volta a se falar porque é irmão.
O amigo sempre volta. Pensando bem, não volta, nunca saiu do lugar. Ele é a rua que atravesso para chegar em casa.
Fabrício Carpinejar