quarta-feira, 2 de abril de 2014

O AMOR EM TEMPOS DE FACEBOOK

O AMOR EM TEMPOS DE FACEBOOK

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Você olha para o lado e no muro mais uma frase romântica pichada. Sorri feliz e até tira uma foto, o amor está lá, pintado no muro e emocionando quem passar por ali e ler. O amor está escrito no papel da bala, com frases curtas e incríveis e parece o suficiente. No adesivo do carro com corações vermelhos. E agora, ele também está lá, publicado no seu mural todos os dias. O amor está sendo divulgado em frases mal elaboradas à espera de mais uma opção curtir, de mais um seguidor. Em tempos onde todos viraram poetas e discípulos do romantismo, o amor se perdeu de vez num emaranhado de palavras que, juntas dizem menos do que separadas. E ‘eu te amo’ é frase que se compra e se vende mais barato do que pastel de feira. Antes o amor era cafona, agora o amor é plágio. Vem cá, onde foi parar o amor mesmo? Do luxo ao lixo. Saiu dos corações, dos beijos molhados, das surpresas e das mãos dadas para virar politicagem barata em redes sociais. O amor está em promoção! Curta um e leve dois. A nova aliança é ‘me segue que eu te sigo’ de volta. O romance escorre nas palavras enquanto o computador está ligado, depois são lágrimas que escorrem no travesseiro sem ninguém perceber. E no dia seguinte, uma frase de Vinícius de Moraes publicada só para dizer ao mundo que você ama e é feliz. Quando na realidade não sente um beijo de verdade faz um bom tempo. Tão acostumados a escrever, nós deixamos de dizer. E quanto menos se diz sobre o amor, menos se sabe sobre ele, menos se vive e muito menos se sente ou faz com que o outro sinta. Amar não é só escrever que ama. E se quiser digitar uma poesia, faça isso com seus dedos em minhas costas, por favor! Pior do que se ajoelhar virtualmente e declarar o amor para milhares de amigos que você sequer cruzou nos corredores do colegial ler, é aceitar aquelas declarações emolduradas por uma tela de computador, com palavras previamente ensaiadas, com pedaços de músicas se encaixando perfeitamente, vírgulas nos lugares exatos, reticências poéticas e uma concordância escandalosamente perfeita num exagero beirando o precipício. O amor escrito minuciosamente. Ali, perfeito e entregue de bandeja. E você aceita essa bandeja sem questionar e sem lamentar que não pode segurar ela com as mãos. Pior é acreditar em parágrafos que circulam em Ctrl C + Ctrl V e se sentir especial. Se o amor fosse uma pessoa, com toda certeza iria encher a nossa cara de porradas e cobrar ‘que porra é essa que vocês estão fazendo comigo?’. O amor virando palhaço de circo e a gente aplaudindo. O amor na vitrine e a gente se contentando em só olhar. O amor que antes era uma linda e natural flor, com cheiro e textura, agora virando flor animada em GIF, coberta de glitter. Me diz, cadê o toque? Onde estão os ‘eu te amo’ sussurrados ao pé do ouvido? As declarações mal feitas, acompanhadas de olhares apaixonados com medo de falhar? Onde estão os arrepios e o perfume? Estão todos engavetados e esquecidos e a culpa é toda nossa, simplesmente porque nós não cobramos o amor na carne. Não exigimos o amor ao vivo, no último volume. Temos medo de encarar o real tamanho do sentimento, e então usamos escudos disfarçados de telas frias e filtros do Instagram. Se for por culpa da distância, tudo bem e a gente aceita declarações que ajudem a manter a lembrança de que o outro existe e ama. Mas faça isso com competência. Muitos querem uma grande estória de amor, mas poucos são competentes para isso. Se for virtual, prefira então as promessas. E principalmente, aquelas que se cumpram depois lá fora, no mundo real, onde a gente se olha nos olhos enquanto faz amor. Onde compartilhamos a saliva e o suor – e não apenas frases. O amor não pode ser descartável. O amor não pode ser assim, fácil de deletar. Bastando um backspace e o amor acaba. Bastando um ‘desfazer amizade’ e o amor some. Bastando uma tinta no muro e o romantismo sendo abduzido sem que ninguém note. Não! Queira do amor tudo o que ele pode oferecer. A voz, a pele, o gosto, o olhar e a dor. Viva e morra por amores profundos e reais. Sofrer por publicações é humilhante. Morrer de amor apenas por frases é decadente. Faça-me versos sim, me cante com poesias de Leminski e Drummond de Andrade. Eu não quero que as palavras morram. Mas, ao final delas, não me mande ‘beijos’ virtuais, desligue isso aí e venha até aqui me beijar.

Fonte: Benfazeja Revista Literária
Por: Camila Heloíze

A CONDIÇÃO HUMANA

Há pessoas que nos libertam…
Há outras que nos aprisionam e asfixiam.
Há pessoas capazes de extrair de nós o que há de melhor e mais bonito… Há outras que colocam em evidência toda a nossa imperfeição. 
Há pessoas que nos tomam pela mão e nos conduzem…
Há outras que nos empurram para o abismo da desorientação.
Há pessoas que semeiam flores de esperança e luz…
Há outras que vão colocando espinhos na nossa cruz.
Há pessoas que nos injetam vida, otimismo, confiança…
Há outras que aniquilam nosso equilíbrio e temperança.
Há pessoas que nos fazem multiplicar nossos poucos talentos…
Há outras que nos fazem enterrar os poucos que supúnhamos ter.
Há pessoas que são balsâmicas em nossas vidas…
Há outras que tornam completamente inócua a nossa lida.
Há pessoas que nos estruturam e nos levantam…
Há outras que nos fragmentam e nos desmontam.
Assim, até onde o destino permitir, que possamos ficar longe daqueles que nos são corrosivos, e que possamos ficar perto daqueles que nos são benfazejos. Mas às vezes, por uma destas razões incompreensíveis da natureza humana, descobrimos com espanto que há pessoas que simultaneamente nos elevam e nos abatem… Nos levantam e nos derrubam… E, mais perplexos ainda ficamos, quando constatamos que por um capricho da Criação, ou quem sabe, da nossa mísera condição, não somos vítimas passivas deste processo, e que vivendo e interagindo, vamos nós também distribuindo (querendo ou não querendo) alegrias e dores, mágoas e alentos, luz e escuridão… Como se dançássemos em perfeita simetria ou como se contracenássemos em perfeita sintonia com os nossos “balsâmicos algozes”. Tal é a humana condição… Eis a questão!

Fonte: Crystal Espaço Terapêutico – http://www.facebook.com/espacocrystal