A vontade é de não iniciar a semana,fazer de conta que ontem não existiu.....não tem como segurar lágrimas....não tem como ficar alheio,se concentrar em outra coisa....agradeço à Deus pela vida de minha filha e peço à Ele que leve conforto a todas essas famílias.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS
Fabrício Carpinejar
Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.
... A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta.
Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.
A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.
As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.
Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.
Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.
Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.
Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.
Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.
Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.
Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?
O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista.
A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.
Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.
Mais de duzentos e quarenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.
Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.
As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.
Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.
As palavras perderam o sentido.
Fabrício Carpinejar
Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.
... A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta.
Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.
A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.
As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.
Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.
Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.
Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.
Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.
Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.
Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.
Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?
O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista.
A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.
Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.
Mais de duzentos e quarenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.
Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.
As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.
Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.
As palavras perderam o sentido.
Tenho ouvido de algumas pessoas uma certa “indignação” com
as notícias sobre a tragédia de domingo passado em Santa Maria,tipo:”De novo,só
falam nisso?”,”Não falam em outra coisa”.
Penso que a mídia deve sim,continuar acompanhando
tudo,informando,(sem apelações,claro),pois é nossa grande aliada para termos
conhecimento e nos conscientizarmos da realidade,para podermos
enfrentar,cobrar,exigir dos responsáveis que se faça cumprir o que são normas,regras,leis,de
segurança,de respeito ao ser humano.E
que não seja só agora,nas tantas emoções de momento.Mas que continuem e que nós,como
cidadãos,pais,profissionais,comunidade....tenhamos caráter para exigir que leis
sejam cumpridas e para escolher nossos representantes para tal.
Costumo usar muito a expressão “Quem não é visto,não é
lembrado.”Mas para essas mães,esses pais,esses tantos familiares e amigos que
não verão mais seus filhos,netos,sobrinhos,amigos de corpo presente,lembrarão
sim,eternamente,à cada momento,cada aniversário que não será comemorado,cada
sorriso que ficou na fotografia,cada
madrugada de domingo.....Impossível deixar de lembrar...que bom se cada
mãe pudesse só lembrar do filho ou filha
sorrindo,cantando,estudando,vivendo.....
Transcrevo trechos escritos por David Coimbra,no Jornal Zero
Hora de hoje:”(...)Uma pessoa qdo.ganha um filho,deixa de ser,ela
mesmo,filha.Sua condição muda.Agora ela não é mais apenas receptora,é também
doadora de amor.(...)Já um filho que ainda não teve filho é objeto de um amor
pulsante,um amor aflito,que acorda de madrugada para contar a ausência do ser
amado no relógio.Os jovens que estavam deitados sem vida no Ginásio de Santa
Maria,encontravan-se nesta condição.Eles eram filhos.Raríssimos deviam ser
pais.Não por acaso,o celular de um deles tocava sem parar,10,20,30 vezes.Os
voluntários olhavam para o celular,depositado sobre o peito do jovem morto e
liam no painel quem chamava:”mãe”.(....)Os pais é que são dependentes do bem
estar dos filhos.Pois afinal,o amor que se dá é muito mais valioso do que o
amor que se recebe.Pois,afinal,amar acaba sendo mais importante do que ser
amado.”
Nesse próximo final de semana,na madrugada de domingo,não
haverá celulares tocando....os quartos ficarão vazios....não acordarão tarde
para o churrasco de domingo....porque foram embora,tragicamente.Mas não vamos
esquecer.Não queremos esquecer.Devemos isso à
todos esses jovens.LEMBRAR para exigir respeito às leis,ao ser humano.
Lágrimas no coração,mas força para mudar o que
tem de ser mudado,com dignidade
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